Pin-Up do Mês de Agosto celebra raízes Guarani Mbya em nova produção original do Universo Retrô

Iraci Martim, conhecida como Madame Martim Divine, se destaca como a Pin-Up do Mês de Agosto de 2026 do Universo Retrô. Sua escolha pela data não foi meramente acidental. O dia 9 de agosto marca o Dia Internacional dos Povos Indígenas, uma ocasião que Iraci utilizou para realçar a ancestralidade que corre em suas veias e desafiar os estereótipos associados às pin-ups norte-americanas.

Filha de um indígena Guarani Mbya e de uma mulher de ascendência italiana, Iraci encontrou na cultura Pin-Up uma forma de expressar sua feminilidade na maturidade, especialmente após os 50 anos. Com o tempo, passou a incorporar suas raízes em seus looks, performances e ensaios fotográficos. Assim nasceu a nova produção original do Universo Retrô, chamada Pindorama Pin-Up, que traz uma releitura brasileira da estética Tiki e das pin-ups clássicas.

Pin-Up do Mês de Agosto celebra raízes Guarani Mbya em nova produção original do Universo Retrô

O projeto Pindorama Pin-Up foi idealizado por Mirella Fonzar e fotografado por Taína Medeiros. O editorial propõe uma reflexão: como seria o imaginário tropical se ele buscasse referências no Brasil dos povos originários? O nome “Pindorama”, originário do tupi e associado ao Brasil antes da colonização, configura um ponto de partida para uma fantasia tropical que substitui as referências polinésias pela exuberância da natureza brasileira. O foco agora se volta para a beleza das mulheres indígenas sul-americanas.

O estúdio foi transformado em uma floresta encantada, com plantas ornamentais, jogos de luz e um fundo que simula um espelho d’água. O figurino foi cuidadosamente montado, combinando peças do acervo do Brechó Universo Retrô com criações de acessórios da Martim Divine. A proposta une glamour e sensualidade à cultura indígena, aproximando a estética Pin-Up da identidade de Iraci de maneira autêntica.

Nos depoimentos de Iraci, fica evidente a importância de sua ancestralidade na formação de sua identidade artística. Desde a descoberta da cena Pin-Up até o momento em que percebeu que sua herança Guarani Mbya poderia coexistir com sua expressão feminina, Iraci compartilha um caminho repleto de autoaceitação e empoderamento.

A visão de Madame Martim Divine vai além da estética: ela busca expandir as referências de beleza dentro da cena Pin-Up, promovendo diversidade e permitindo que mulheres de diferentes idades, corpos e origens ocupem esse espaço. Seu desejo é que as novas gerações reconheçam a riqueza de suas raízes e saibam que a maturidade não é uma barreira, mas sim uma fonte de poder.

A relação de Iraci com seu corpo e a sensualidade após os 50 anos

Iraci Martim, aos 52 anos, redescobriu sua sensualidade e a aceitação do próprio corpo com uma nova perspectiva. A maturidade trouxe um olhar mais consciente sobre sua imagem, permitindo que ela se sentisse não apenas linda, mas inteira. Esse reconhecimento é parte do que Iraci compartilha em sua jornada, ressaltando que todas as mulheres podem e devem se sentir empoderadas em suas próprias peles, independentemente da idade.

A cultura Pin-Up, tradicionalmente associada a jovens mulheres, tem espaço para incluir trajetórias de vida diversas e vibrantes. Iraci menciona que a sensibilização sobre o corpo e a feminilidade é fundamental, especialmente para mulheres mais velhas que possam se sentir excluídas desse universo. Ela acredita que a sensualidade é algo que só melhora com a idade, levando em consideração todas as vivências e aprendizados que acumulamos ao longo do caminho.

A estética Pin-Up sob uma ótica brasileira

A estética Pin-Up, que muitas vezes foi inspirada nas pin-ups americanas e suas conotações de glamour, não precisa ser restritiva. Madame Martim Divine nos mostra que existe um espaço — e uma necessidade — de reinterpretar essa cultura à luz da identidade brasileira. O uso de referências indígenas enriquece a narrativa e destaca a diversidade cultural do Brasil.

No editorial Pindorama Pin-Up, as expressões artísticas são entrelaçadas de maneira a honrar tanto as tradições indígenas quanto a cultura Pin-Up. Iraci destaca que a beleza não é uma questão de conformidade a um padrão. Ela procura inspirar outras mulheres a se aceitarem e se amarem como são, celebrando sua individualidade através de seus corpos e histórias.

A importância do reconhecimento e da ancestralidade

A presença da ancestralidade na expressão artística de Iraci é inegável. Com um pai Guarani e uma mãe de ascendência italiana, sua história é uma fusão rica de influências. Ao longo da vida, Iraci sentiu a força de suas raízes, mesmo em fases em que não tinha plena consciência disso. Em suas palavras, a conexão com a natureza e o respeito por ela são legados valiosos que ela carrega consigo.

Esses elementos se tornam ainda mais presentes em sua carreira como modelo e artista Pin-Up. Durante as produções fotográficas, Iraci se vê não apenas como uma representante da estética, mas também como uma contadora de histórias que compartilha suas experiências e sabedorias, criando um diálogo entre o passado e o presente.

Sustentabilidade na moda e compromisso social

Outro aspecto relevante da produção Pindorama Pin-Up é o uso consciente e sustentável da moda. Ao integrar peças de brechó e criações originais, o projeto não apenas promove a beleza e a diversidade, mas também questiona os excessos do consumo na indústria da moda. Iraci e a equipe desejam mostrar que é possível ser estiloso e, ao mesmo tempo, respeitar o meio ambiente e as tradições.

A escolha de elementos que dialogam com a cultura indígena reflete uma atitude consciente em relação às questões sociais, apoiando a luta por reconhecimento e valorização dos povos originários. O trabalho de Iraci junta todas essas frentes, celebrando sua própria herança, ao mesmo tempo que chama a atenção para temas importantes e urgentes.

Perguntas frequentes

Como a cultura Pin-Up entrou na vida de Iraci Martim?
Iraci conheceu a cultura Pin-Up através de uma amiga que a incentivou a participar de um concurso Pin-Up, levando-a a explorar eventos e expressões artísticas.

Qual é a mensagem que Madame Martim Divine quer passar para mulheres maduras?
Ela quer inspirar mulheres a reconhecerem que a sensualidade se intensifica com a maturidade e que a idade não é uma barreira, mas sim uma fonte de empoderamento.

Os traços indígenas têm importância na carreira de Iraci?
Sim, Iraci compartilha que seus traços indígenas são uma parte importante de sua identidade e história, e ela se orgulha de como suas feições são um símbolo de resistência e beleza.

Como Iraci incorpora sua ancestralidade em sua expressão artística?
Ela combina elementos culturais e estéticos da Pin-Up com referências indígenas em suas produções, mostrando um diálogo entre essas duas identidades.

Qual é o significado de “Pindorama” e como ele é usado neste projeto?
“Pindorama” é um termo de origem tupi que se refere ao Brasil antes da colonização. Ele simboliza a riqueza da biodiversidade e das culturas indígenas brasileiras.

A diversidade é uma preocupação na cena Pin-Up brasileira?
Sim, Iraci acredita que a diversidade deve ser ampliada na cena Pin-Up, com mais mulheres de diferentes idades, corpos e origens se fazendo ouvir e serem vistas.

Conclusão

A trajetória de Iraci Martim, a Madame Martim Divine, não é apenas uma representação da estética Pin-Up, mas uma celebração vibrante das raízes Guarani Mbya. Sua produção Pindorama Pin-Up mostra que a beleza e a sensualidade não têm idade e que é possível unir diferentes aspectos de nossas identidades em expressão artística. Ela reescreve a narrativa da cultura Pin-Up, trazendo uma abordagem inovadora e inclusiva, que reflete a rica tapeçaria cultural do Brasil. Através de sua história, Iraci inspira muitos a redescobrir suas próprias raízes e a celebrar sua singularidade, tornando-se um ícone de empoderamento para gerações futuras.